FERMENTAÇÃO É MODA?

Kombucha, Kefir de água, de leite e Rejuvelac são nomes que não fazem parte de nosso dia-dia há muito tempo. Talvez o Kefir seja o que a maioria já ouviu falar. A kombucha vem atrás, pois além de fazer parte de folhas de jornal e páginas de internet ganhou notoriedade com matérias na Globo e na Record. E, se passou na TV, é porque existe mesmo, certo?

Fermentar é cozinhar a frio. É um processo primitivo, que tinha por principal objetivo conservar alimentos, pois a geladeira, por exemplo,surgiu no Brasil em 1912.

Existem muitas formas de fermentar, seja através de colônias de bactérias e leveduras, através de culturas ou mesmo as fermentações láticas, que chamamos de fermentação selvagem. Mas porque selvagem? Porque usa-se dos próprios microrganismos que compõe o alimento, para protegê-lo de contaminações de outras bactérias, sem uso de starter, cápsulas de lactobacilos ou outro meio de fermentação. Exemplo? O chucrute. Mas não o chucrute do supermercado, conservado no vinagre pasteurizado, mas o chucrute que é feito usando apenas o repolho e o sal. Usando desta técnica, é possível fermentar qualquer vegetal, como acelga,abobrinha,beterraba,pimentas. E ainda podemos temperá-los, usando sal, ,gengibre,cúrcuma, semente de mostarda etc. Agora, além de conservar os alimentos, a fermentação o transforma, tornando estas conservas simples de vegetais, um alimento probiótico e super rico em enzimas, minerais e antioxidantes e agora que vem o melhor da história.

O alimento fermentado se transforma em outro alimento, tendo suas bactérias e leveduras multiplicadas de forma exponencial. Temos em média três quilos de bactérias em nossos intestinos, logo precisamos destas para fazer nossa digestão, filtrar o que é bom e ruim, absorver nutrientes, nos proteger de doenças e produzir até mesmo serotonina. Sim, 95% da serotonina produzida pelo corpo é produzida nos intestinos. Ah, mas então temos bactérias apenas em nossos intestinos? Não. Absolutamente, não. Todo nosso corpo é composto por bactérias, a pele, o cabelo, boca,língua,órgãos e etc possuem microrganismos. Por isso não é errado dizer que somos 90% bactérias. O importante é colonizar nosso intestino com boas bactérias, para que elas possam trabalhar a nosso favor, pois caso contrário doenças começarão a aparecer. Por isso os probióticos são essenciais à nossa sobrevivência e esse negócio de colonizar os intestinos com as boas não é papo furado, não, mas vamos saber um pouco o que é probiótico, prebiótico e antibiótico.

O antibiótico, infelizmente, é o que todo mundo conhece, pois o senso comum entende que toda bactéria é patógena e que portanto devemos acabar com todas, o que é um erro. Sem dúvida alguma os antibióticos ajudam muita gente, mas prejudicam tantas outras, pois o próprio nome diz, anti, que significa contra a vida. Portanto o antibiótico serve para matar as bactérias ruins, mas as boas também. Os Prebióticos são os microrganismos que estão presentes nos alimentos, principalmente nos alcalinos, como frutas, legumes e vegetais, que não foram cozidos, fritos e nem assados, pois processo de cozimento faz com que a maioria das bactérias morram. Elas estão presentes nos alimentos biogênicos e bioativos, como os alimentos germinados, crus, frescos e sem transformações. Os probióticos são as bactérias boas, que possuem funções bem definidas, que povoam nossa microbiota – conhecida como flora intestinal – e nos protegem de invasões das bactérias ruins. E isso funciona como o meio ambiente mesmo, que se devastado trará consequências. Estas bactérias, para se ter uma noção, mandam até mesmo em seu paladar e escolhas alimentares, pois se seu intestino tiver como hóspede a candida, responsável pela candidíase, ela lhe pedirá doces, carboidratos refinados e você será tomado por este desejo que, quando saciado, lhe trará alívio, até ela querer se alimentar de novo. Disbiose é o termo correto de dizer quando o seu organismo possui mais bactérias ruins que boas e lhe faço um desafio para saber onde estas bactérias estão instauradas. Certamente você deve saber ou fazer idéia, pois são os fast foods, os churrascos, os doces, as comidas processadas, enlatadas e cheias de conservantes que estão as bactérias ruins, pois se não seria comum nos entupir de comidas ruins e depois tomar probiótico, mas não é assim que a coisa funciona. A ingestão de probióticos com a ingestão dos prebióticos é que faz o casamento perfeito, para que o antibiótico não faça parte da sua vida,pois ele vem sido usado de forma bem irresponsável. Quer saber quais doenças são tratadas com antibióticos de forma equivocada,segundo o médico Dr Alberto peribanez,autor do Livro Lugar de Médico é na Cozinha?

Segue:

Portanto, alimentos fermentados e ricos em probióticos possuem uma ação em nosso corpo fascinante, fazendo que sejamos protegidos de doenças e que possamos também nos sentir bem, pois a depressão também é um sintoma de um organismo frágil e mal povoado. Dr. Albeto possui um capítulo em seu livro com o título: a Paz é Intestinal, não à toa nosso intestino é chamado de segundo cérebro. E, fermentar alimentos, além de ser uma prática milenar, é autossustentável. Imagina pegar as mangas que caem do pé do sítio que você frequenta e sabe que desperdiça e fazer uma conserva, um vinagre ou mesmo uma bebida alcoólica? Fazer uma conserva probiótica que dura mais de ano fora da geladeira? Ou mesmo seu “vinho” de abacaxi,amora e o que tiver aí de sobra?

Eu tenho ficado cada vez mais encantado e fascinado com este universo. Universo que quebra paradigmas, que faz com que o nosso paladar tomado pela indústria do alimento esterilizado seja contestado. Com que o desperdício do alimento seja combatido e que novas experiências sejam feitas. Nosso compromisso é fazer com que estas técnicas perdidas pelo tempo sejam resgatadas e que o vinho, a cerveja, o  shoyo,vinagre,cachaça,pão e café não sejam o únicos alimentos fermentados que conhecemos. Precisamos superar a geração Protex e entender cada vez mais sobre alimentos fermentados. Para isso, não precisamos de laboratório e nem de conhecimento em química ou biologia, precisamos querer fazer.  E aí, vamos fermentar?

Um abraço. Namastê.

Leave your reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.